Remoção de servidor público: o que é e como funciona?

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Leitura de 6 min

O instituto de remoção de servidor público é polêmico.

Ele dá margem para diversas interpretações e discussão entre doutrinadores e membros do Poder Judiciário.

Da mesma forma, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre o assunto. Trata-se de uma verdadeira representação do choque entre os interesses privados e o interesse do poder público.

Este artigo tem como objetivo esclarecer as principais questões envolvendo a remoção de servidor público. Vamos apresentar o conceito e destacar as hipóteses legais que autorizam esse fato. Quer saber mais? Então, acompanhe a leitura!

O que é a remoção de servidor público?

A remoção é o ato de deslocamento do servidor público, com ou sem mudança de sede. Ele pode ser provocado por pedido do próprio funcionário ou de ofício pela Administração Pública.

Ou seja, a Administração pode remover o servidor, a seu critério ou a pedido deste, desde que seja verificada a existência de conveniência e a discricionariedade para isso. Se acontecer a pedido do servidor, dentro das hipóteses legais, independe do interesse da Administração.

O que é alteração de lotação?

A lotação corresponde ao órgão a que o servidor está vinculado administrativamente e onde ele desempenha o seu ofício.

A designação do local de lotação de servidores é um ato de decisão da Administração, que analisa critérios de conveniência e oportunidade. Dessa forma, o Poder Judiciário não pode interferir. Fazer o contrário seria adentrar no mérito administrativo da questão, o que não é permitido.

O servidor pode ser deslocado para outra cidade, bairro, órgão e até de um setor para outro. Já a alteração de lotação é a mudança de setor do servidor realizada dentro da mesma lotação geral.

O que a lei estabelece sobre o tema?

A remoção tem previsão na Lei 8.112/90. O seu art. 36 determina que:

“Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do mesmo quadro, com ou sem mudança de sede.”

O mesmo artigo continua explicando as várias modalidade de remoção:

“Entende-se por modalidades de remoção:

I – de ofício, no interesse da Administração;

II – a pedido, a critério da Administração;

III – a pedido, para outra localidade, independentemente do interesse da Administração:

a) para acompanhar cônjuge ou companheiro, também servidor público civil ou militar, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que foi deslocado no interesse da Administração;

b) por motivo de saúde do servidor, cônjuge, companheiro ou dependente que viva às suas expensas e conste do seu assentamento funcional, condicionada à comprovação por junta médica oficial;

c) em virtude de processo seletivo promovido, na hipótese em que o número de interessados for superior ao número de vagas, de acordo com normas preestabelecidas pelo órgão ou entidade em que aqueles estejam lotados.”

Em que circunstâncias ela pode ocorrer?

De ofício, no interesse da Administração

Quando o servidor é transferido do local onde exerce suas funções para outro por interesse exclusivo da Administração, a remoção é chamada de ofício.

A remoção do servidor por interesse da Administração deve ser objetivamente motivada, apontando a causa e os efeitos que determinaram a prática desse ato e o dispositivo legal que confirma essa medida, sob pena de nulidade.

Porém, a validade da decisão poderá ser alvo de revisão pelo Judiciário, em casos de ilegalidade e violação aos princípios institucionais do governo.

Isso significa que o ato não contém nenhum tipo de vício que o torne ilegal ou inválido. Podemos citar, como exemplo, a decisão superior de remover um funcionário por motivos de perseguição pessoal, como a sua orientação sexual ou gênero. Isso não é motivação suficiente para justificar o ato, nem afeta a prestação dos serviços para a coletividade.

A pedido, a critério da Administração

Nesse caso, o servidor deve fazer o pedido, que será analisado pela Administração. A Administração deve justificar a sua decisão, indicando a motivação que a levou a tomar tal atitude.

Dessa forma, assim como os demais atos administrativos, a decisão precisa estar protegida pelos princípios da: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficácia etc.

Assim, quando o poder público decide remover um funcionário seu a pedido do próprio, deve justificar o ato e apresentar os fundamentos jurídicos que justifiquem a validade do ato e que levem a essa decisão. Trata-se da motivação, princípio presente no art. 50 da Lei nº 9.784/1999.

A pedido, para outra localidade, independentemente do interesse da Administração

A remoção pode, ainda, ser requerida a pedido do próprio servidor, sem levar em consideração o interesse da Administração.

Nessa última modalidade, há o direito subjetivo de remoção. Vamos ver as hipóteses:

– Para acompanhar cônjuge ou companheiro que foi deslocado no interesse público;

– Motivo de saúde do servidor, seu cônjuge, companheiro ou dependente;

– Ocorrência de processo seletivo promovido, se o número de interessados for superior ao número de vagas, conforme as normas estabelecidas em cada órgão ou entidade.

Na hipótese de pedido de remoção para outra localidade (art. 36, inciso III), o servidor deverá esclarecer se a motivação é provocada pela necessidade de acompanhar o seu cônjuge ou companheiro ou se é por motivo de saúde ou de processo seletivo promovido.

Por outro lado, não há nenhuma previsão legal de remoção do servidor para acompanhar seu cônjuge ou companheiro se este for um empregado de uma empresa do setor privado. Isso seria uma afronta ao princípio da Supremacia do Interesse Público, já que o interesse particular iria se sobrepor ao público.

É importante mencionar que o ato de remoção do servidor público não é uma punição e nem pode ser usado como uma ferramenta para perseguição política ou pessoal. Dessa forma, a decisão deve se restringir apenas ao interesse da Administração, e não por motivos pessoais de seus representantes.

Como vimos, o instituto da remoção de servidor público é um direito e está previsto na lei. Esse instituto é usado para satisfazer a necessidade da Administração, seguindo, assim, o princípio da supremacia do interesse público. Ele se desdobra em diversas hipóteses a depender da situação. E dessa forma, também pode ser impulsionado pelo interesse particular do próprio funcionário, desde que motivado e autorizado pelo Estado.

Entendeu melhor como funciona a remoção de servidor público? Tem alguma dúvida? Deixe o seu comentário no post!

Precisa de mais informações sobre Remoção de Servidor?

94 comentários em “Remoção de servidor público: o que é e como funciona?”

  1. Boa noite! Meu caso é parecido com o de Ana. Fui nomeada este ano para uma vaga num órgão federal no Nordeste, portanto ainda tenho o estágio probatório a cumprir. Meus pais são idosos e gostaria de saber se mesmo ainda em estágio probatório tenho direito a solicitar remoção para unidade deste mesmo órgão na cidade onde meus pais residem. Ou somente após os três anos? Aguardo resposta. Obrigada!

    1. Olá, Shari. Tudo bem?
      Entendemos que você poderá fazer o requerimento. No entanto, a aceitação ou não ficará a critério da administração pública.

  2. Boa tarde! Sou concursada em nível superior, em uma prefeitura há 9 anos e desde então trabalho no msm setor, que faz parte do Departamento de Assistência Social. É permitido por lei que o atual prefeito me mude para o setor da educação?

  3. Bom dia. Sou servidora federal, estou concluindo o estágio probatório na região para a qual prestei o concurso, bem distante da minha cidade de origem. Ocorre que minha mãe tem 72 anos e vários problemas de saúde. Nós sempre moramos juntas. Apesar de eu ter casado há 20 anos permaneci com ela devido à sua saúde. Por fazer tratamento de saúde na nossa cidade e também por não querer viajar de avião por medo ela não veio morar comigo após ter assumido à vaga do concurso, em outra região do país. Tenho apenas uma irmã que não lhe dá apoio afetivo/físico algum (esta reside a 130km e não a visita). Minha pergunta é se mesmo minha mãe tendo renda e não sendo minha dependente econômica, mas sendo minha dependente para fins de acompanhamento de saúde, se eu posso solicitar remoção embasada no seu acompanhamento. Obrigada.

    1. Olá, Ana! Tudo bem?
      Você pode fazer o pedido de remoção administrativamente, mas isso será analisado pela administração, a qual decidirá com base na própria conveniência.

  4. Boa noite, sou funcionário público Estadual a 22 anos em Imbituba SC, minha esposa passou em um concurso público Estadual e na cidade em que trabalho existe vaga para assumir o cargo em que ela passou, sendo que o Estado não ofertou esta vaga que está em aberto para ela e querem que ela assuma uma vaga em uma cidade vizinha, mudando assim, toda estrutura de nossa família. Ela tem direito de pedir a remoção por acompanhamento de cônjuge e assumir esta vaga que está em aberto em nossa cidade?

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